sábado, 10 de janeiro de 2009

TRANQUILIZANTES....

A crueldade do destino coloca em xeque a ausência do ser. A maldade dos fatos cabíveis em um delimitado período de horas surpreende de maneira inescrupulosa a face corada de batimentos cardíacos acelerados. A descrença assume, imperiosa, sobre a emoção que sobe como arrepio pela epiderme queimada ao sol do verão solitário. O passado envenenado volta fazendo do futuro terreno incerto e calculável, injusto e tentador. A angústia da dúvida, a sorte do livre arbítrio.

Duas cápsulas soníferas sobre a palma de suas mãos. Pela guela desce o que por ela subirá, em um revertério inevitável, desgostoso das escolhas feitas, tenebroso das consequencias...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

MULHER-RATO







Agarrou a fina tira de tecido duro e puxou com ódio e desespero para baixo. A persiana subiu, a cidade reapareceu. As longas e distantes luzes de mundos particulares despontavam em seus olhos trazendo uma claridade pontiaguda para sua visão já acostumada à escuridão. Afagou a mais antiga almofada laranja, de formato peculiar, algo que já fora, um dia, um coração. E talvez a almofada fosse a representação material de seus cansados sentimentos, um coração desconfigurado. Apoiou no parapeito, recostou sobre a almofada. Do bolso, a chama que sufocou o desespero da abstinência. Uma tragada... duas. Aliviada, enfim, pode finalmente deixar os olhos dispersos encontrarem na paisagem corriqueira algo de bizarro, algo inédito, de curiosidade absoluta em sua vivência tão tímida e retraída da cidade morta de concreto. Ali, dividindo o parapeito, do outro lado da vidraça, um corpo. Metade para fora da rede que quadricula o mundo do 4º quarto do décimo-oitavo andar. Estava ali, como ela, olhando os pontos de luz da imensidão. A outra metade, provida de um minúsculo rabo, para dentro, acuada pelos perigos que a noite representa.
Tragava e olhava. Olhava e tragava.
Por fim, isolou-se novamente do universo em seu cubo fantástico. Por dentro, através do vidro, viu aquele corpúsculo raquítico. Sua carne parecia forçar para dentro do corpo, somente impedida por uma frágil estrutura óssea que quase cedia, e por entre os ossinhos a carne escorria quase atingindo o outro lado e quase tornando-se, emfim, uma folha de pelos e carne. Os dedinhos miúdos ligados por uma membrana quase transparente, que assim o seria, não fosse preta. Por dúvida, jogou-lhe um feixe de luz por trás. A sombra na mureta pálida, quase tão negra quanto o ser, tomou forma e deixou exato o desenho de duas orelhas pontiagudas e miúdas.
Um rato preto? Um morcego? Macumba? Ilusão? Devaneios? Alucinações? Medo?

Tomada por um sentimento único de agonia e terror, a aflição tomou-lhe conta das ações, as lágrimas lhe escorreram dos olhos involuntárias. O animal no parapeito como ela, estava se escondendo da vida, com medo da cidade a frente, no meio termo entre o real e o irreal, em cima do muro, dormindo entre o quadriculado e frágil como uma membrana. O animal era ela. Ela era o morcego.
Entao, abriu a vidraça, encostou a cabeça na rede e lá ficou, até o sol crescer e levar embora o bicho e toda escuridão...

domingo, 21 de dezembro de 2008

DE VOLTA A ATIVA...

Sábado... Mc Donalds... casa da drix... casa da Mandes... postinnho... cerva... Bubu... caipirinnha de morango... dancing queens!... vodica e energeticos... red bull não me deu asas... macarena... palquinho... ´sentada no lixo... japones hetero... macarena... vodika de novo... energetico... vodka.... funk soul brothers.... careca de olho verde... olhaa esse.... catcheee... dá licença, to com ela... hahaha... o que a gnt quer... duas cervas e vc.... hahahaha.... to passando mal... leva sua amiga pra enfermaria... descendo a escada de esqui bunda... me passa o lixo por favor... vamo sai fora... tem que pagar pra sair?.... ponto de onibus... conta de telefone... dormindo descalça... maquiagens borradas... posto de gasolina... mandes, socorro... grau maristela... mc donalds sem comida... carro da drix... casa... Tetas... lavar o peh na pia, não tem preço!

É... de volta a louca vida desenfreada!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

(IN)CERTEZA...

ah! Se ela aprendesse a confiar em alguém... entre tantas dúvidas ela simplesmente olha fundo na íris verdadeira de palavras falsas e sabe da mentira que finge acreditar...
Não ela não confia em nada... e se ela aprendesse a se entregar? Seria ela mais uma tola em meio a tantos bonecos presos a uma irrealidade superficial, amarrada às leis da moral, esquecida dos caminhos da ética...
E assim que se lembra, ergue os muros invisíveis da auto proteção e acredita, assim, não se ferir, e talvez torne-se um tanto quanto insensivel, no entanto se sensibilidade depende da capacidade de se ater ao real o que é verdadeiramente sincero? Não... Não existe realidade e tudo que se sente faz parte de uma ilusão criada para que a mentira pareça verdade, para que a vida faça sentido, que palavras falem por si só sem essencia...
Em nada se pode confiar... tudo muda... a palavra dita vem cheia de sentidos e acorrentada a uma mentira inconsciente, enquanto a única certeza da vida, é a lua brilhando no céu escuro através do vidro da janela da alma.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

IDEALIZAR: VERBO INTRANSITIVO

Eu idealizo
Tu idealizas
Ele idealiza
Nós idealizamos
Vós idealizais
Eles idealizam

Idealizas? E se idealizar basta por si só, por que, afinal, me idealizastes?
Tudo, nada, nunca...
E quisera, eu, não ser uma figura utópica fruto de tua mente esperançosa, pois sendo assim, nunca corresponderei às expectativas de tua perfeição... Quisera eu, não ser assim e ter ficado em tua imaginação, pois poderia ter sido eternamente perfeita...
Quisera eu que a realidade não batesse forte em nossas faces, chamando-nos para a cruel verdade de ser quem essencialmente somos...
Quisera eu, que tu não tivestes aprendido o maldito verbo intransitivo, e por assim ser, confortar-te-ias em meus humildes braços,não perfeitos, mas simplesmente suficientes... Quisera eu que o verbo idealizar não idealizasse algo ou alguém, pois se assim fosse, seria teu amor do jeito estranho e real de ser, e amarias o que sou, não o que gostarias que eu fosse...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

UM PEQUENO IMPREVISTO --- Paralamas

Eu quis querer o que o vento não leva
Pra que o vento só levasse o que eu não quero
Eu quis amar o que o tempo não muda
Pra que quem eu amo não mudasse nunca
Eu quis prever o futuro, consertar o passado
Calculando os riscos
Bem devagar, ponderado
Perfeitamente equilibrado
Até que num dia qualquer
Eu vi que alguma coisa mudara
Trocaram os nomes das ruas
E as pessoas tinham outras caras
No céu havia nove luas
E nunca mais encontrei minha casa
No céu havia nove luas
E nunca mais encontrei minha casa

terça-feira, 11 de novembro de 2008

EQUILÍBRIO DA VIDA

Talvez esse seja meu equilíbrio... é no qual eu acredito... quando a vida lhe traz alguém muito especial, por puro e simples equilíbrio, ela lhe tira outro...
Quando a felicidade é tanta que mal cabe em um sorriso, algo trágico tem que acontecer... por único e perfeito equilíbrio...
Quando o amor é tanto que mal cabe no peito, é necessário um espaço a ser aberto e entao uma pessoa querida lhe é roubada...
Quando a vida lhe parece eterna, vem a morte e lhe mostra que é finita...
Quando os sentimentos não lhe permitem o sofrimento, vêm as lágrimas e mostram que tudo tem seu equilíbrio...
E talvez a vida seja curta, mas o amor é eterno e é ele que traz a graça da vida.
A vida não é infinita, mas o impacto que ela causa em outras é. O amor resiste ao tempo, ao sofrimento, às doenças, à morte... o amor resiste a qualquer custo... é infinito, imensurável, esse tal de amor de qualquer tipo de qualquer gênero de qualquer grau.

Um beijo de despedida de uma menina imensamente feliz, triste em dar tchau, mas perfeitamente conformada com o equilírio vital....